Evangelização
Atividades: Domingo | 09hs - Escola Dominical | 19hs - Culto | Quarta-Feira - 20hs - Estudo Bíblico.
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Evangelização

 

Evangelização

O que é a evangelização? Há muitas definições que são dadas. Poderíamos passar muito tempo só definindo-a. Mas quero dizer algumas coisas. Em primeiro lugar não devemos definir a evangelização nos termos daqueles que vão receber a mensagem. Isso pode nos levar a comprometer a mensagem e a mudá-la. Em segundo lugar, também não devemos definir a evangelização em termos dos seus resultados. Pois dessa forma, você diria que William Carey não estava fazendo evangelização nos primeiros anos em que ele esteve na índia, porque por muitos anos ele não viu nenhum convertido. Em terceiro lugar, não devemos definir a evangelização em termos dos métodos usados. Dessa forma, se pensarmos assim, os fins vão justificar os meios e nós vamos terminar naquilo que é tão comum hoje, a chamada "evangelização pragmática". Essa "evangelização" está mais preocupada com os números do que com a verdade. Nós precisamos definir a evangelização em termos do significado da própria palavra.

 Evangelização vem de uma palavra grega que significa "boas novas". Assim, poderíamos definir a evangelização como sendo a proclamação das boas novas, a proclamação do evangelho. Nele buscamos, pela graça de Deus, a conversão de pecadores. Num sentido mais amplo podemos dizer que inclui a edificação dos filhos de Deus. Inicialmente, a evangelização procura a conversão de pecadores e no sentido mais amplo, procura o discipulado daqueles que já nasceram de novo. Esta palavra grega aqui referida, euaggélion, está registrada 124 vezes no Novo Testamento. Portanto, a Bíblia é um livro evangelístico. Nosso Deus é um Deus evangelístico. Na verdade, a tocha da evangelização foi acesa originalmente, no Velho Testamento. Em primeiro lugar foi acesa pelo próprio Deus na primeira promessa messiânica que Ele deu a Adão e Eva, lá no Éden. Vemos isso em Gênesis 3:15: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu Ihe ferirás o calcanhar". Aqui, Deus Jeová está agindo como um Deus evangelista. Ele está interceptando Adão e Eva numa relação pactuai que eles estavam tendo com satanás e traz para eles a promessa do Messias que haveria de vir: a semente da mulher que haveria de esmagar a cabeça da serpente. Assim, Deus acendeu a tocha antes mesmo de Adão deixar o paraíso e, ainda lá, Ele revela Seu Filho que haveria de vir. Ele próprio é essa tocha.

Logo que o Novo Testamento se abre, nós encontramos a tocha, a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, que é "as boas novas", o evangelho; Ele é tanto o Salvador quanto a salvação. Quando Cristo começa a realizar o Seu ministério, bem cedo, ele começa a dar aos Seus discípulos instruções bem específicas quanto ao levar a tocha da evangelização. Quando Jesus ressuscitou dos mortos, deu-lhes a grande comissão como vemos em Mateus, capítulo 28. Esta grande comissão pergunta e responde importantes questões. Por que e como evangelizamos?  A nossa resposta é esta: evangelizamos por compaixão aos homens e mulheres que estão perecendo. Evangelizamos como Cristo, pois Ele chorou sobre a cidade de Jerusalém e nós devemos chorar sobre Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e sobre todo o Brasil. Quando vemos milhões que estão morrendo em nossa volta, estranhos a Cristo, sem Deus e sem esperança no mundo, alienados de Deus, inimigos de Deus, rebeldes como outrora nós também fomos, nossos corações precisam sangrar; nossos olhos, chorar; nossas orações, subir aos céus e assim seremos motivados a evangelizar por causa da compaixão.

Há outros motivos profundos que nos impelem à evangelização. Mateus, capítulo 28, deixa de forma absoluta e clara a grande motivação que é uma ordem de Jesus. Se nós amamos alguém, desejamos agradar-lhe e obedecer-lhe. Se amamos a Cristo queremos obedecer à Sua ordem e fazer a Sua vontade. Quando Cristo diz, "ide e ensinai", a Sua ordem em si é a nossa grande motivação. Naturalmente essa grande motivação é uma lição que nos vem através do conceito da soberania de Deus. Sempre fomos uma minoria na tradição reformada e uma outra minoria procura usar a soberania de Deus de uma forma, às vezes, não bíblica. Calvino diria que isso é como um "veneno" que está sobre, o conceito da soberania de Deus. Esta minoria, às vezes, procura diminuir a importância e o papel da soberania na salvação das pessoas. A ilustração clássica disso é o exemplo de William Carey. Quando ele explicou seu chamado para ir para a Índia, um dos que estavam naquela reunião lhe disse: "Sente-se, jovem, se Deus quer realmente salvar a Índia, Ele pode salvá-la sem a ajuda de William Carey ou de qualquer outro". Esta é uma afirmação terrível. Percebam que aquelas pessoas estavam separando a doutrina da soberania de Deus dos meios através dos quais essa soberania é exercida.

 Os meios que Deus usa no exercício da Sua soberania são homens pecadores como nós. Jesus disse: "Ide e ensinai". Jesus não está dizendo que se deixe a evangelização na esfera da soberania de Seu Pai. Também não está dizendo que devemos ficar apenas em uma sala ensinando. Há pessoas que têm um grande dom de ensinar, mas não saem para levar a mensagem de boas novas. Por outro lado, uma das grandes calamidades da Igreja hoje, é o fato de igrejas, que têm grandes alvos evangelísticos, possuírem líderes com tão pouca capacidade de ensino. Da mesma forma, igrejas que têm muitos com o dom de ensinar, frequentemente apresentam baixos alvos evangelísticos. Precisamos voltar à ênfase de Jesus, que era a colocação das duas coisas juntas - ir e ensinar! Estas duas ações precisam estar juntos. Precisamos ser motivados à evangelização reformada pela obediência ao nosso Mestre.

Quero citar mais um motivo. Devemos ser impelidos pelo nosso relacionamento com Deus. Paulo diz que se conhecemos a ira de Deus, nós precisamos persuadir os homens, pois ele sabia como são os homens e mulheres sem Deus. O apóstolo Paulo foi um deles, mas sabia o que significava ser salvo e ter um novo relacionamento com Jesus. Sabia a terrível realidade de uma alienação de Deus; também sabia o poder da reconciliação com Deus. Em 2 Coríntios,  . capítulo 5,ele fala de uma forma poderosa desta reconciliação. Nos  versículos 20-21 ele diz: "De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus". Paulo estava, pois, motivado por aquela paixão e pelo desejo ardente de agradar a Cristo, como uma criança em profunda reverência por seu pai. Como fruto de uma grande apreciação e amor por Cristo.

 Todos os diferentes aspectos dos atributos de Deus e o relacionamento daqueles que crêem neles, motivaram Paulo a evangelizar. Ele sempre procurou glorificar a Deus em todas estas coisas: a soberania de Deus, o amor de Deus, a graça de Deus. Esta foi a motivação mais profunda da evangelização de Paulo. Não somente uma compaixão humana, não somente a ordem de Cristo, mas um desejo ardente de glorificar a Deus a quem ele conhecia. Ele tinha absoluta certeza de que qualquer um que cruzasse o caminho de Cristo, um dia estaria perante o julgamento de Deus e teria de responder diante dEle por todo o bem ou mal que fizera no seu corpo, nesta vida.

 Quando nós, pastores, ficamos de pé diante da nossa congregação, semana após semana, quão prontos estamos para esquecer que, mesmo que se passem cem anos, se o Senhor demorar a voltar, nenhuma pessoa na nossa congregação vai escapar do julgamento final de Cristo? Em toda a nossa evangelização, estamos lidando com almas viventes que poderão estar alienadas de Deus para sempre, ou que irão usufruir da presença gloriosa de Jesus eternamente. Há uma diferença radical entre estas duas coisas. A grande gloria que Deus recebe na conversão de pecadores motivava Paulo a fazer missões e evangelizar.

 A grande comissão responde a uma segunda pergunta. A quem devemos evangelizar? Mateus nos diz que devemos ir a todas as nações. Ide e ensinai a todas as nações. Há algo maravilhoso neste mandamento para a evangelização reformada, porque o evangelista reformado não fica apenas vendo a soberania de Deus no ato de eleger, pois este ato não é algo que impede o sucesso da evangelização, e sim, algo que o confirma. Quando Cristo nos envia a todas as nações, Ele vai reunir delas, aqueles que vão servi-lo e temê-lo  na Sua própria Palavra. Ele vai usar a loucura da pregação para salvar aqueles que devem e precisam crer. Que encorajamento maravilhoso para nós evangelizarmos, pois onde formos passando no meio desta torrente de depravação humana, não há nenhuma expectativa em nós ou na semente em si. Algumas sementes vão cair em solo rochoso ou à beira do caminho, e a nossa única esperança de que Deus Se agrade é que Ele venha a usar-nos como barro em Suas mãos para cumprir o Seu propósito de amor e soberania em termos da eleição. Dessa forma, Deus vai atrair pecadores a Si mesmo.

 Em Marcos 16:15 ("Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura") a grande comissão diz algo um pouco diferente. Pregar o evangelho a toda criatura! Mateus disse, "a todas as nações". Marcos particulariza a grande comissão. A ênfase é que o evangelho deve, não só ser levado a todas as nações, mas a todo homem, mulher, moço e moça que habitam nelas. O evangelho é o oferecimento de Deus aos pecadores. São as boas novas de Cristo e está disponível para todos. São boas novas de que Cristo os está convidando a virem a Ele como estão. As boas novas, entretanto, não consideram que cada pessoa tem força em si mesma para ir a Deus. As boas novas não afirmam que a pessoa é salva meramente por uma "decisão" por Cristo. A mensagem das boas novas não é que você vai declarar a cada um que ele está salvo. Não significa contar a cada um, que definitivamente Cristo morreu por você, não é simplesmente levar as pessoas a saberem que Cristo morreu por elas. Muitos pregadores pregam assim. Eles dizem: "Jesus morreu por todos e tudo que você tem de saber é crer que Ele morreu por você ". O que está errado com isso? No momento em que eu creio que Cristo morreu por cada um, então, eu posso concluir que há uma espécie de acordo que afirma: se Ele morreu por todos, então, morreu também por mim. Os pregadores que pregam assim, persuadem as pessoas a pensarem que estão salvas, mesmo sem ter recebido nenhum toque do Senhor. Contudo, apenas um assentimento intelectual sem essa bênção da fé salvadora, não salva.

 Uma fé salvadora pessoal, um arrependimento pessoal, uma convicção pessoal dos pecados e uma rendição diante de Deus de todas as suas justiças que são trapos diante de Deus, são ingredientes necessários para que você encontre a real salvação. Se você não compreende o que é ser um pecador perdido e condenado perante Deus, como pode apreciar a riqueza do evangelho? Dessa forma, a grande comissão nos encoraja a levar o evangelho a todas as nações, ao homem como um ser integral. Não leve o evangelho a pressionar apenas a vontade do homem, pois o evangelho afeta a vontade, as afeições, a totalidade do ser humano. Posteriormente veremos como os reformadores e puritanos praticaram esse tipo de evangelização. Quando eles apresentavam a Cristo de uma forma integral para um ser integral, acabavam proclamando todo o conselho de Deus.

Extraído do livro a Tocha dos Puritanos - Joel R. Beeke.

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A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja protestante reformada, de orientação calvinista presbiteriana. Foi fundada em 1862 por um missionário estadunidense chamado Ashbel Green Simonton, que chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Possui aproximadamente 1.011.300 membros distribuídos em mais de 10.407 igrejas locais e congregações em todo o Brasil.(Fonte wikipedia)

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